FEHOSUL volta à Casa Civil e pede solução para os atrasos de pagamento do IPE-Saúde

Na segunda-feira (28), a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL), representada pela gerente de Relacionamento com o Mercado, Shirlei Gazave, participou de reunião, acompanhada de lideranças do Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia (IF-FUC) com o chefe da Casa Civil do RS, Otomar Vivian, para tratar dos atrasos dos pagamentos do IPE-Saúde. O encontro, ocorrido no Palácio Piratini, também contou com a presença do deputado federal, médico Pedro Westphalen, vice-presidente licenciado da FEHOSUL.

Esta é segunda reunião em menos de uma semana para tratar da grave crise ocasionada pelo IPE-Saúde aos estabelecimentos de saúde que prestam serviços aos mais de 1 milhão de beneficiários e dependentes do plano. O atraso dos repasses do IPE-Saúde vem afetando de forma crítica o setor de saúde (hospitais, clínicas e laboratórios) do RS desde o segundo semestre de 2018.

Após reunião, pagamento de apenas 1/3 devido

Na terça-feira (29), após a reunião do dia anterior, o IPE-Saúde efetivou repasse de apenas R$ 34 milhões (1/3 do total reivindicado). Eram esperados R$ 100 milhões pelos serviços prestados. O repasse é referente às notas (faturas) apresentadas de 10/11 até 16/11 (esta data parcialmente). O valor é insuficiente e não atende a reivindicação da FEHOSUL.

Situação é ruim e pode piorar ainda mais

Na reunião do dia 28, os representantes do Instituto de Cardiologia manifestaram grande preocupação com a situação. De acordo com o superintendente, Rogério Pires, se a situação de atraso se mantiver, com recursos menores do que o acordado com o IPE-Saúde, não haverá condições de quitar a folha de fevereiro, que é realizada em março. “No início de março, já poderá ter uma crise no Cardiologia”, alertou.

“Temos 4.900 funcionários, em seis hospitais do Instituto de Cardiologia. São 4.900 famílias que vivem uma situação delicada, por esse impasse com o IPE-Saúde e por termos esgotado nossas possibilidades alternativas de recursos, como os empréstimos”, enfatizou.

Como entidade representativa, a FEHOSUL manifestou preocupação com esse descumprimento do IPE-Saúde com o calendário, pela insegurança muito grande que tem gerado para as instituições. Todos os seus filiados relatam situações similares às expostas pelo Instituto de Cardiologia.

De acordo com a gerente de Relacionamento com o Mercado, o segundo semestre de 2018 foi muito ruim em relação aos compromissos remuneratórios do IPE-Saúde. A entidade passou a realizar o pagamento em valores menores e fora das datas previstas. Além disso, os representantes do Cardiologia relataram, na reunião, que a nova remuneração com o IPE-Saúde, acordada no segundo semestre de 2018 em negociação com o Ministério Público, também está sendo penosa para a instituição.

Diminuição da rede assistencial, demissões e impacto para os pacientes

Muitos hospitais, clínicas e laboratórios vem relatando à FEHOSUL que podem deixar de atender o IPE-Saúde se as ocorrências se mantiverem desta forma, o que impactará diretamente na ponta do processo (paciente) e na imagem da autarquia  junto aos servidores e sociedade em geral. E isto pode se refletir também, em demissões de colaboradores e terceirizados no setor.

“Manifestamos nossa real preocupação com esse impasse. Mencionei para o chefe da Casa Civil que a FEHOSUL entregou para o presidente interino do IPE-Saúde, na semana passada, uma correspondência, pedindo uma liberação de recursos extras para esta semana, e principalmente, solicitando que o IPE-Saúde regularizasse o pagamento dentro do calendário previsto (nos dias 5, 15 e 25). Porque são esses pagamentos que geram fluxo financeiro para as instituições, e isso não está sendo cumprido desde o segundo semestre de 2018. Essas incertezas, de quando e quanto irão receber, são preocupantes para nossas instituições”, ressaltou Shirlei.

Compromisso e escolha do novo presidente

O chefe da Casa Civil afirmou que a intenção é resolver este quadro o mais rápido possível. Otomar, que é profundo conhecedor da área, já tendo exercido à presidência da autarquia, em três oportunidades, destacou que o IPE-Saúde necessita imediatamente efetivar um novo presidente (o último presidente, João Gabbardo dos Reis, assumiu recentemente como secretário-executivo do Ministério da Saúde), para evoluir nas negociações.

O deputado federal Pedro Westphalen manifestou preocupação com o cenário vigente de atraso dos pagamentos, e se colocou à disposição para auxiliar na resolução do impasse. Westphalen vem cobrando uma saída que impeça o desgaste político do novo governo com o segmento da saúde, assim como junto aos servidores que utilizam o plano de saúde. “Mesmo que a conjuntura atual tenha sido herança da grave crise fiscal que o Estado vem atravessando, é preciso olhar com atenção redobrada para as áreas prioritárias, como é o caso da saúde”, afirma o deputado.

Estiveram presentes: Sihrlei Gazave (gerente de Relacionamento com o Mercado da FEHOSUL); Otomar Vivian (chefe da Casa Civil do RS); Marne de Freitas Gomes (diretor presidente do Instituto de Cardiologia); Gustavo Lima (diretor secretário do Instituto de Cardiologia); Rogério Pires (superintendente do Instituto de Cardiologia); e Pedro Westphalen (deputado federal do RS e vice-presidente licenciado da FEHOSUL).